Cabeamento Estruturado: Projeto e Instalação

Apresentação

O segmento de cabeamento estruturado, próximo de completar seus 30 anos, tomando como marco a publicação da então ANSI/TIA/EIA-568, tem evoluído a passos largos, de uma Categoria 3 com largura de banda de 16MHz à provável Categoria 8 (em desenvolvimento) com largura de banda de 2000 MHz (2 GHz). Algumas mudanças importantes aconteceram em cabeamento estruturado no Brasil e no mundo. A norma brasileira de cabeamento estruturado, a ABNT NBR 14565, vem sendo atualizada constantemente e teve sua cobertura ampliada a cabeamento para data centers. A Comissão de Estudo (CE) do COBEI, a CE 03:046.05, responsável pela norma ABNT NBR 14565 também publicou a ABNT NBR 16264 (cabeamento estruturado residencial) e está trabalhando no desenvolvimento de outras normas do setor. A série ANSI/TIA-568 ganhou a parte C.4, publicada em 2011, e uma nova norma específica para certificação de cabeamento metálico foi publicada pela TIA.

Embora a Categoria 5e (100 MHz) ainda tenha importância nos edifícios, os sistemas de cabeamento de alto desempenho, como a Categoria 6A (500 MHz), vêm crescendo em utilização puxada pelo 10 Gigabit Ethernet. Isso se deve, principalmente, às necessidades por largura de banda dos data centers. As categorias 7 (600 MHz) e 7A (1000 MHz) se destacam pelas melhores características de desempenho em ambientes com altos níveis de interferência eletromagnética. A Categoria 8 deve ter duas versões, uma compatível com a Categoria 6A e outra com as categorias 7/7A, em termos de meios físicos. As aplicações Ethernet a 40 e 100 Gb/s foram publicadas pelo IEEE (802.3) como normas (40GBase-SR4, 40GBase-LR4, 100GBase-SR4, 100GBase-LR4 e 100GBaseER4) e já estão disponíveis para implementação em fibras ópticas. As fibras ópticas OM4 também foram padronizadas e estão conquistando mercado crescente em aplicações no subsistema de backbone de data centers. Há discussões sobre Ethernet a 25 Gb/s e 40 Gb/s em cobre.

Ainda com relação à aplicação 40 GbE para cabeamento balanceado, o IEEE está avaliando o desenvolvimento de uma interface 40 GBase-T, assim como as existentes 1000Base-T e 10GBase-T. No entanto, em razão das características da eletrônica (hardware), é muito provável que o comprimento máximo de transmissão do 40GBase-T (em cabeamento Categoria 8) fique muito inferior a 100 m para a configuração canal. As discussões mais recentes sobre o assunto sugerem um canal com comprimento máximo de 30 metros. Se considerarmos que uma aplicação 40 GbE não tem potencial de implementação em cabeamento para aplicações padrão em edifícios comerciais, e sim em data centers, talvez essa limitação em distância de transmissão em cabos balanceados não venha a ser um problema importante, se essa aplicação for utilizada no subsistema de cabeamento de backbone. O alien crosstalk continua sendo um efeito importante e que pode limitar o desempenho de aplicações 10 GbE e superiores em cabeamento balanceado não blindado.

Como o leitor pode notar, muito tem sido feito no segmento de cabeamento estruturado e há, ainda, muito trabalho pela frente. Assim, este livro, que é resultado de mais de vinte anos de experiência e pesquisas dedicados a esse segmento, trata-se de uma obra relevante e atualizada que traz a atualização de normas de cabeamento como a brasileira ABNT NBR 14565 (Cabeamento estruturado para edifícios comerciais e data centers), a nova ABNT NBR 16264 (Cabeamento estruturado residencial), a parte C.4 (Cabeamento coaxial e componentes de banda larga) da série de normas norte-americanas ANSI/TIA-568-C, a nova TIA-1152 (Teste de campo de cabeamento balanceado), transferindo para ela as especificações de testes, até então objeto da ANSI/ TIA-568-C.2, entre outras. Aplicações suportadas pelas fibras ópticas multimodo OM4 (com especificação de largura de banda modal de 4.700 MHz.km) e monomodo ISO/IEC OS2, com especificação de atenuação máxima de 0,4 dB nos comprimentos de onda de 1310 e 1550 nm, são apresentadas e discutidas. As práticas de instalação são tratadas de forma atualizada conforme normas vigentes, uma seção sobre especificações de sistemas corta-fogo (firestopping) faz parte do livro, a implementação das aplicações 10 GbE, 40 GbE e 100 GbE em cabeamento estruturado é apresentada e discutida, bem como são comentados os novos requisitos de certificação do cabeamento em cobre e a introdução do ACRN (relação atenuação paradiafonia) e ACRF (relação atenuação telediafonia).

O livro cobre as especificações de cabeamento para automação e controle predial (BACS), conforme definido na ABNT NBR 14565 e ANSI/TIA-862-A, cabeamento residencial, especificações de cabeamento para PoE (Power over Ethernet), práticas de terminação de conectores em campo com e sem o uso de epóxi, assim como técnicas de gerenciamento de cabeamento estruturado baseadas em normas e com dispositivos RFID. Várias figuras ilustram o livro e apresentam aspectos práticos, para melhor entendimento, e a nova nomenclatura de cabos adotada por normas técnicas vigentes é utilizada aqui para familiarização do leitor. Como o leitor pode notar, esta obra apresenta uma abordagem prática, atualizada e ampla do tema cabeamento estruturado, com seriedade, responsabilidade e precisão. Mais uma vez, expresso minha satisfação em escrever este livro e reafirmo meu compromisso em trazer contribuição valiosa para a formação e educação continuada de profissionais das áreas de TI, telecomunicações, informática, engenharia e áreas correlatas.

O autor